Ansião

Localização

Pertence ao Distrito de Leiria. Possui uma localização intermédia entre o Litoral e o Interior, enquadrando-se, geograficamente, na Região Centro do País, na zona do Pinhal Interior Norte. Em termos de acessos, Ansião é servido pelos Itinerários Complementares IC8 e IC3 que ligam, respectivamente, Figueira da Foz a Madrid e Condeixa-a-Nova a Setubal, tendo nas suas proximidades os Itinerários Complementares IC1 e IC2. Beneficia, igualmente, do nó de acesso à auto-estrada em Pombal (25 Km), bem como da principal via ferroviária situada nessa cidade.

 

Um pouco de História

Ansião é habitado desde tempos remotos. Os povos pré-históricos, usufruíram das características do território, favorável à edificação das suas fortificações, e por aqui se estabeleceram. O castro em Pousaflores e Torre de Vale Todos, além da própria toponímia, confirmam o precoce povoamento destas terras.

Ansião participou também da romanização, na viragem para a Era Cristã. São bastante elucidativos os diferentes vestígios arqueológicos encontrados: moedas, mosaicos, telhas, pesos de tear, colunas, mós e provavelmente a via romana, calçadas, etc.

Com a dominação árabe, além dos múltiplos conhecimentos adquiridos com tão brilhante civilização, ficou a toponímia. Lugares ou freguesias como Albarrol, Alcalamouque, Aljazede, Almofala, Alqueidão e Alvorge são exemplos do significado legado muçulmano.

A paisagem do concelho apresenta diversas cambiantes. Subir a uma da inúmeras colinas que rodeiam a vila, significa tomar consciência da sua beleza inigualável, enquanto se experimenta uma sensação de serenidade e paz que se desprende dos seus vales, aldeias e casarios espargidos pelas colinas; encontramo-nos frente a frente a um panorama cuja paisagem feita de colinas, ribeiros, montes, cores e espaço verdadeiramente original, não tem igual no mundo e individualiza as serras de Ansião, a que já os romanos chamaram "Tapeius".

A ocidente, localiza-se uma vasta cordilheira, denominada de sistema Lusitano-Castelhano por Paul Choffat. Tanto o maciço de Sicó como o da serra de Alvaiázere, constituídos quase exclusivamente por terrenos calcários, apresentam certas particularidades geológicas: as águas, ao infiltrarem-se, vão formando canais, que foram constituíndo cavernas e grutas. Irrigam os campos agrícolas do concelho, rio Nabão e o rio Seco, como o nome indica seco nos meses de estio, mas apenas nos primeiros quilómetros.

É durante o reinado de D. Afonso Henriques que pela primeira vez aparece o topónimo Ansião. Registado sob a forma de Ansion, consta de um documento datado de 1175, referente à primeira parte da compra de uma herdade pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

 

Através desse documento, podemos reconhecer em Ansião um topónimo de origem germânica, usado como nome de uma pessoa que esteve ligado à dita herdade, Ansion terá sido, assim, grande proprietário naquela região, tendo-lhe dado, inclusivamente, o seu nome. Segundo a lenda, que está provado não passar daí, a rainha Santa Isabel dera o nome à povoação, habitada nessa altura por venerado ancião.

 

 

"Rainha Santa dando esmola a um Ancião"

 

Era nestas terras que durante vários anos os reconquistadores cristãos faziam correrias para sul, enquanto que os mouros ambicionavam recuperar os terrenos que lhes haviam conquistado.

Grande era aqui a angústia e o pânico dos habitantes, pois ninguém vivia de modo estável e, como cada vez a situação se tornava mais difícil, D. Afonso Henriques travou aqui, nos campos compreendidos entre Rabaçal, Alvorge e Ateanha, a controversa batalha de Ourique no ano de 1139.

Querendo estimular o povoamento das terras que agora se tornavam mais hospitaleiras, o dito monarca criou o concelho de Germanelo e deu-lhe foral em 1142, no qual determinava que, além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos quantos tivessem cometido crimes de homicídio, de furto, ou de qualquer outro tipo de perturbação pública, sob a condição de se refugiarem nas terras do Germanelo, de as cultivarem e de as defenderem dos ataques dos inimigos. Logo que tal noticia se divulgou, esta região viu alvorecer a sua colonização e o seu sistema defensivo foi alargado com a edificação de uma torre de defesa na Torre de Vale de Todos. Em Alvorge e Ateanha já desde há muito tempo existiam torres de idênticas funções.

Cenário de lutas entre cristãos e mouros no período da Reconquista, Ansião apenas será reconhecido como centro económico e populacional de algum vulto em 1514. Nesse ano, foi-lhe atribuído foral por D. Manuel I, bem como Avelar, Chão de Couce e Pousaflores. Estas três actuais freguesias do concelho conservam até hoje os seus primitivos pelourinhos, símbolos do poder jurisdicional do concelho.

O século XVII é o que de certo modo nos deixou mais memórias: edificou-se a ponte da Cal, as capelas da Misericórdia e do Senhor do Bom Fim, várias residências - algumas ainda habitadas - etc.

D. Afonso VI elevou Ansião à categoria de vila, sendo o acontecimento perpetuado por um foral novíssimo que lhe concedeu D. Pedro II doou-a a D. Luis Meneses, conde de Ericeira, e o senado do município mandou ereger o padrão e o esbelto pelourinho para assinalar o facto.

Houve trovadores medievais que, possuindo delicadas sensibilidades, compuseram belos poemas alusivos aos encantos desta região, sendo mais famosa a cantada "polas serras dansian" guardada no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.

Figuras de destaque em Ansião, nesta altura, foram ainda Pascoal José de Melo, António José Barbosa, Jerónimo Soares Barbosa e Francisco Freire de Melo. Eminentes homens de Direito, das letras e das artes, foram pessoas importantes a nivel nacional, mesmo nos meandros da corte portuguesa.

Com a reforma dos municípios, levada a cabo por D. Maria II, são extintos os concelhos de Avelar, Chão de Couce e Pousaflores, que passaram a simples freguesias, integradas em Ansião por D. Carlos.

A economia popular da região, que desde a Idade Média se mantinha baseada na agricultura, alterou-se progressivamente no último século devido à mão de obra que abandona os campos para se dedicar à indústria.

 

O concelho de Ansião representa, na região que o abraça, uma proposta alternativa ao turismo standardizado. De características eminentemente serranas, é um ponto de fuga dos centros superlotados do litoral e das paradisiacas paisagens do interior beirão. Um ponto de repouso e tranquilidade, na beleza inconfundível da natureza, na excelência da típica gastronomia e da hospitalidade das suas gentes.

 

Monumentos (no concelho)

  • Da época quinhentista, temos a resistência senhorial de Chão de Couce, hoje Quinta de Cima na qual pernoitavam e chagaram a residir algum tempo alguns dos nossos monarcas.
  • O Solar dos Condes de Castelo Melhor, em Santiago da Guarda, é monumento nacional, e o único exemplar de arquitectura manuelina existente por aquelas paragens. Durante o século XVII, D. Afonso VI elevou Ansião à categoria de Vila. O acontecimento seria perpetuado por um foral ali instalado. D. Pedro doou a nóvel vila a D. Luís de Meneses, conde de Ericeira, e o senado do município mandou erguer o padrão e o esbelto pelourinho para assinalar o facto.
  • É também desta época a Misericórdia de Alvorge.

 

Freguesias do Concelho e Património cultural

  • Alvorge

            igreja séc XVII

 

  • Ansião

        - Igreja matriz com estatuário oitocentista evocativa de S. Gregório e S. Sebastião; Capela da Misericórdia; pelourinho da era manuelina; ponte seiscentista no rio Nabão; Lápide evocativa da batalha do Ameixial;

 

  • Avelar

    - Forno medieval Senhora da Guia; Igreja paroquial com traçado renascentista; Pelourinho

 

  • Chão de Couce

              - Igreja Paroquial com retábulo de José Malhoa no altar principal, pelourinho; Belíssima propriedade Quinta de Cima; Quinta da Rosa

 

  • Lagarteira

            - Igreja matriz e uma árvore (freixo) com 700 anos, perto da igreja.

 

  • Pousaflores

                - Igreja matriz; Capela N. Senhora do Pranto; Capela do Anjo da Guarda (com miradouro e moinho de vento); Tipicas aldeias da Portela de S. Lourenço, Venda do Negro e Casais Maduros

 

  • Santiago da Guarda

               - Igreja matriz; solar rural do conde de Castelo Melhor, imagens quinhentistas de S. Tiago

 

  • Torre de Vale de Todos

              - Igreja matriz; Capela de S. Jorge

 

Património Cultural

  • Ponte medieval (seiscentista) de Cal no rio Nabão
  • Pelourinho manuelino
  • Monumento que comemora a Batalha do Ameixial em 1686
  • Igreja da Misericórdia com porta barroca
  • Igreja paroquial albergando dezanove imagens de S. Gregório e S. Sebastião

 

 

 

 

 

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